
Manifesto / Rádio Faneca - edição 2023
A culpa talvez seja da rotina.
Não é uma questão de monotonia, ou desinteresse, muito menos de apatia. Mas da rotina como força contrária à deambulação, à contemplação e à leveza necessárias para ficarmos absolutamente especados a olhar uns para os outros e para o que está à nossa volta como se fosse tudo novo. Porque é também das coisas admiráveis - repetidas ou irrepetíveis - que há no decorrer de si própria que a rotina nos dispensa. Quando apanhamos os pedaços de uma desgraça do chão é que entendemos: que bem que se está num dia normal. Só nos destroços afiados da ausência ou do medo somos capazes de reconhecer os sinais da continuidade e da beleza das coisas. A ressonância insuportável de uma casa desabitada, por exemplo. A memória é uma sentença ensurdecedora e, simultaneamente, um portal para a luz que permanece. Uma árvore que continua a dar as mesmas pêras, doces ainda. A esperança é para comer à dentada.
Esta é uma nota de repúdio ao piloto automático. A engenharia dirá que esse mecanismo permite uma «navegação mais precisa e económica», mas de mecânica percebem os poetas. No poema “Nuvens correndo num rio”, Natália Correia diz-nos que não corramos e pede, quase ordena: “navega mais devagar”.
A culpa talvez seja da falta de orientação. O mapa de uma cidade não é uma representação real de todos os seus caminhos. Diz-nos por onde devemos circular, mas não onde podemos parar. Este esboço das ruas é útil, mas viver é mapear o resto. Experimentar uma cidade é abrandar. Identificar o rasto dos que a habitam, a sua memorabilia afetiva, questionar o planeamento urbano, assinalar os trajetos mais lentos e demorados, fazer os desvios mais difíceis e considerar as pausas. Inventar um lugar em aberto - a rua é um documento por rasgar - à procura de ser desarrumado pela passagem, repetida ou ocasional, das pessoas.
Na décima edição, o Rádio Faneca não olha para o mapa. Durante três dias, no Centro Histórico de Ílhavo, ninguém se perde: em qualquer ponto do festival, já chegámos ao nosso destino.
ALINHAMENTO
16 JUNHO (sexta-feira)
15:00 Soundcheck por Teatro da Didascália — Casa Cultura Ílhavo
15:00 Chá das Cinco - Peça para quatro amigas mais uma que nunca mais chega, por Coração nas Mãos — Jardim Henriqueta Maia
18:00 Isto não é uma luta de galos, com Emanuel Graça, Guilherme Marta (O Marta), Rafael Ferreira (Glockenwise) e moderação de Miguel Rocha — Palco Rádio / 103.9 FM
19:00 O Marta — Palco Rádio / 103.9 FM
21:30 Tó Trips — Palco Carlos Paião
22:30 Glockenwise — Palco Jardim
0:00 Helena (DJ Set) — Palco Carlos Paião
17 JUNHO (sábado)
11:00 (Histórias no becos) Bruxa por Ana Madureira - Beco S. Salvador + Bruna por Gisela Maria Matos - Beco 4
12:00 (Histórias no becos) Bruma por Alexandre Sá - Viela do Salvador + Bruta por Miguel Branca - Beco 5
12:00 "O Planeamento Urbano dá-nos sossego? - A evolução dos espaços de lazer e descanso em Ílhavo com Conceição Martins (comunidade), Eliana Fidalgo (Centro Documentação Ílhavo), Paulo Anes (Arquiteto Município Ílhavo), Sara Santos (Centro Documentação Ílhavo)" — Palco Rádio / 103.9 FM
15:00 "Ouve bem o que te digo - Às vezes parece que fazes bruxedo com Maiores Idade" — Palco Rádio / 103.9 FM
15:00 Soundcheck por Teatro da Didascália — Casa Cultura Ílhavo
15:30 (Histórias no becos) Bruxa por Ana Madureira - Beco S. Salvador + Bruna por Gisela Maria Matos - Beco 4
16:00 Cláudio da Paula + Paula Cirino (Concerto PRAIA) — Rua d'O Ilhavense
16:30 (Histórias no becos) Bruma por Alexandre Sá - Viela do Salvador + Bruta por Miguel Branca - Beco 5
17:00 Jasmim — Travessa Filarmónica Ilhavense
18:00 Henrique Vilão + Satha Lovek (concerto PRAIA) — Rua do Grande Banco
18:00 Chá das Cinco - Peça para quatro amigas mais uma que nunca mais chega, por Coração nas Mãos — Jardim Henriqueta Maia
19:00 Ana Lua Caiano — Palco Rádio / 103.9 FM
19:00 Casa Aberta com Francisca Camelo
21:30 Zé Ibarra — Palco Carlos Paião
22:30 B Fachada — Palco Jardim
0:00 João André Oliveira (DJ Set) — Palco Carlos Paião
18 JUNHO (domingo)
11:00 (Histórias no becos) Bruma por Alexandre Sá - Viela do Salvador + Bruta por Miguel Branca - Beco 5
12:00 (Histórias no becos) Bruxa por Ana Madureira - Beco S. Salvador + Bruna por Gisela Maria Matos - Beco 4
15:00 Coro da Madrugada: Venham mais cinco — Palco Rádio / 103.9 FM
15:30 Conversa com Grupo Comunitário Orquídea: São Orquídeas, senhor! - Aniversário Natália Correia — Palco Rádio / 103.9 FM
15:30 (Histórias no becos) Bruxa por Ana Madureira - Beco S. Salvador + Bruna por Gisela Maria Matos - Beco 4
16:00 António Justiça + Rui Pereira (concerto PRAIA) — Rua d'O Ilhavense
16:30 (Histórias no becos) Bruma por Alexandre Sá - Viela do Salvador + Bruta por Miguel Branca - Beco 5
17:00 Filipe Sambado — Travessa Filarmónica Ilhavense
18:00 Equinócio + Wine on the Carpet (concerto PRAIA) — Rua do Grande Banco
19:00 Branco toca Marco Paulo — Palco Rádio / 103.9 FM
21:30 Luca Argel — Palco Carlos Paião
22:30 Orquestra Jazz de Matosinhos + Manuela Azevedo — Palco Jardim
TODOS OS DIAS
10:00 - 22:00 Posto de informação — Casa Cultura Ílhavo
10:00 - 20:00 Emissão Rádio com Maria Inês Santos e Marta Rocha — Palco Rádio / 103.9 FM
10:00 - 20:00 Jogos do Helder — Praça Casa Cultura Ílhavo
10:00 - 20:00 Oficina do brincar — Jardim Henriqueta Maia
10:30 + 12:00 + 13:30 + 16:30 + 18:00 Masajes de la Visión por Idoia Zabaleta — Casa Cultura Ílhavo (mediante inscrição)
Eventos do Festival
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Geringuéu explora os paradoxos da vida através da construção (musical e não só). No palco, o fácil encontra o difícil e a ordem dissolve-se num caos harmonioso.
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A Primeira Vez é uma peça sobre a juventude. Um rapaz e uma rapariga refugiam-se num parque, longe dos olhares alheios, para se descobrirem pela primeira vez.
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Esta é uma travessia estática dentro de um balão aerostático, em que a viagem que realmente importa é a interior. O desafio é o de navegar para fora do mundo, pelo ar e pela imaginação.
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O urso que não era é a história de um urso que vivia numa floresta. Quando os gansos migram para sul e as folhas das árvores ficam amarelas, vermelhas ou castanhas e começam a cair, o Urso procura um lugar para dormir, dormir o seu sono de inverno, hibernar até à primavera.
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