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![[MILHA 2026] Wolfgang, bitte...e Ordinary Events](https://img.bndlyr.com/nkqfjskujo/_assets/23milhas-milha_2026-site3.jpg?fit=fill&w=1024)
Rui Horta é o coreógrafo convidado para conduzir a criação deste ano da Companhia Jovem de Dança que é, na verdade, a recriação de duas das - muitas – das suas grandes obras: Wolfgang, bitte... e Ordinary Events. Desde julho, a Companhia Jovem de Dança de Ílhavo, que este ano reúne 19 intérpretes, em parceria com as escolas de dança do município de Ílhavo, ensaia, cria, reinventa, parte pedra e corpo, para aquilo que virá a ser a apresentação deste ano, na Milha - Festa da Música e dos Músicos de Ílhavo, em que revisitam peças que marcaram a história da dança, ou não fossem da autoria do bailarino, coreógrafo e programador Rui Horta. |
COMPANHIA JOVEM DE DANÇA DE ÍLHAVO
direção artística e pedagógica Luiz Antunes
produção e técnica 23 Milhas, Heurtebise A.C.
comunicação 23 Milhas, Marco Olival
apoio finaceiro Banco BPI, Fundação “la Caixa”
parcerias Casa do Povo da Gafanha da Nazaré, Fulldance Studio
e IP Arabesque
agradecimentos Álvaro Campo, André Mendes, Kenji Ribeiro
Wolfgang, Bitte...
Estreia em junho de 1991 S.O.A.P Dance Theatre Frankfurt 1º prémio do Concurso Internacional de Banolet
Wolfgang Bitte, que em português se traduz por Wolfgang, por favor, foi uma peça essencial no meu percurso. Em 1991, venceu o Concurso de Bagnolet, então o mais prestigiado prémio internacional de dança contemporânea, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento do meu percurso internacional.
Wolfgang Bitte reflete sobre a vida de Wolfgang Amadeus Mozart, que, de muitas formas, se aproxima da de tantos criadores: ao mesmo tempo que compunha obras extraordinárias, Mozart debatia-se com enormes dificuldades para sobreviver e, simplesmente, ganhar a vida.
É por isso que, enquanto ouvimos no sistema de som do teatro excertos do Réquiem e de A Flauta Mágica, escutamos também, num velho gira-discos, a Sinfonia de Linz, uma obra
menos conhecida, composta num momento em que Mozart precisava urgentemente de obter algum rendimento. De um lado, a obra monumental; do outro, a urgência quotidiana.
A peça inspira-se sobretudo no último ano da sua vida, um período vertiginoso em que Mozart compunha simultaneamente a obra que parecia anunciar a sua própria morte, o magnífico Réquiem, e uma das suas grandes obras-primas operáticas, A Flauta Mágica, plena esperança, luminosa e irreverente.
Mozart compunha enquanto morria lentamente, com apenas 35 anos.
Pontuada por duetos de poder, Wolfgang Bitte percorre algumas das relações que marcaram a sua existência:
Wolfgang e o pai, Leopold. Wolfgang e Salieri. Wolfgang e a sua mulher, Constanze Weber. Wolfgang e a corte de Salzburgo.
Legou-nos uma obra prolífica e genial, situada no coração do período clássico e capaz, ainda hoje, de nos confrontar com uma questão profundamente actual: como pode um criador produzir uma obra extraordinária e, ao mesmo tempo,
lutar diariamente pela sua sobrevivência?
Rui Horta
Ficha Artística
coreografia Rui Horta
remontagem Allan Falieri
ensaiador e notador Luiz Antunes
intérpretes Alice Alves, David Peixinho, Dilúvio, Gabriel Rodrigues, Inês Pais, Inês Oliveira, Ivy Thurler, Margarida Dória, Maria Leonor Aguiar, Maria Miguel Ferreira, Maria Rosa, Mateus Cardoso, Laura Ribeiro, Rosa Ramos, Sara Machás Perez, Sofia Marques, Sofia Tavares, Vasco Felícia.
música Mozart / excertos do Requiem, Flauta Mágica e da Sinfonia nº 36 em Dó maior, K. 425
desenho de luz Rui Horta
figurinos Rui Horta
remontagem e execução dos figurinos Joel Reigota
Ordinary Events
Estreia em outubro de 1991 S.O.A.P. Dance Theatre Frankfurt
Esta obra criada igualmente em 1991, apenas alguns meses depois de Wolfgang Bitte, nasceu no contexto de um programa conjunto entre o meu grupo, o S.O.A.P Dance Theatre Frankfurt, e a companhia de dança da Ópera de Frankfurt, dirigida por William Forsythe, uma gala de solidariedade para com as vítimas da SIDA, que atingia de forma particularmente devastadora a comunidade artística.
Ordinary Events, em português, Eventos do dia a dia, mergulha no quotidiano frio, repetitivo, mecânico que rege tantas das nossas vidas em contexto urbano.
É uma obra de grande generosidade física e marca, no meu percurso, o início de uma exploração mais radical dos limites de um corpo, levado até ao limite das suas possibilidades.
A peça foi criada durante uma residência na montanha, em Macolin, perto de Neuchâtel, num importante centro de treino dos atletas suíços de alta competição. Eu próprio tinha sido ginasta e fiquei fascinado pela fisicalidade extraordinária, quase sobre-humana, dos atletas e, em particular, dos ginastas que ali treinavam diariamente.
Descemos então a Neuchâtel e comprámos três carpetes, simplesmente para não nos magoarmos durante os ensaios.
Regressámos a Macolin, estendemo las no chão do estúdio e começámos a investigar.
A partir daí que nasceu todo um vocabulário físico que, para nós, era inteiramente novo e desafiante. Um corpo
confrontado com o risco, com a velocidade, com o impacto e com os seus próprios limites. A fisicalidade deixava de ser
apenas uma linguagem da dança para se tornar matéria dramatúrgica.
Ordinary Events nasce assim com três carpetes vermelhas e três cadeiras, sinais de poder. Mais uma vez, o poder,
uma questão que atravessava já o meu trabalho, mas aqui observado de outra forma: fria, mecânica, quase predadora.
Entre a violência silenciosa do quotidiano e a busca da intimidade, Ordinary Events procura um lugar onde o corpo
tenta romper essa contradição. Um corpo levado ao extremo, como possibilidade de resistência.
Rui Horta
Ficha Artística
coreografia Rui Horta
remontagem Allan Falieri
ensaiador e notador Luiz Antunes
intérpretes David Peixinho, Dilúvio, Gabriel Rodrigues, Laura Ribeiro, Margarida Dória, Sara Machás Perez
música Les Tambours du Bronx
desenho de luz e cenografia Rui Horta
figurinos Kathy Brunner
remontagem e execução Daniel Vaz
Biografias
RUI HORTA
Lisboa, 1957. Formado em Educação Física, iniciou o seu percurso na dança aos 17 anos nos cursos de bailado do Ballet Gulbenkian. Viveu posteriormente em Nova Iorque, onde completou a sua formação e desenvolveu atividade como intérprete e professor.
Em 1984 regressou a Lisboa, fundando a Companhia de Dança de Lisboa e afirmando-se como um dos principais impulsionadores de uma nova geração de bailarinos e coreógrafos portugueses. Durante a década de 1990 viveu na Alemanha, onde dirigiu o Soap Dance Theatre Frankfurt, sendo o seu trabalho reconhecido como referência da dança europeia contemporânea e apresentado em teatros e festivais internacionais como o Spiral Hall (Tóquio), o Hebbel Theatre (Berlim), o Queen Elisabeth Hall (Londres), o Joyce Theatre (Nova Iorque) e o Théâtre de la Ville (Paris), que apresentou e co-produziu as suas obras ao longo de uma década.
Em 2000 regressou a Portugal e fundou, em Montemor-o-Novo, o Espaço do Tempo, centro multidisciplinar de experimentação artística que se tornou uma das mais relevantes estruturas europeias de residências artísticas.
Enquanto criador convidado, desenvolveu repertório para companhias como o Cullberg Ballet, o Netherlands Dance Theatre, a Companhia Nacional de Bailado, o Grand Ballet de l’Opéra de Genève, o Ballet da Ópera de Marselha, o Ballet da Ópera de Gotemburgo, o Icelandic Ballet, o Scottish Dance Theatre, a Random Dance, a Phoenix Dance Company, a Carte Blanche, o Ballet am Gärtnerplatz (Munique), o Ballet de Roubaix, o Ballet da Ópera de Linz, o Ballet da Ópera de Nuremberga e a Tanzmainz, entre outras.
Ao longo da sua carreira recebeu distinções como o Grand Prix de Bagnolet, a Bonnie Bird Award, o Prémio dos Produtores Alemães, o Prémio Acarte da Fundação Gulbenkian, o Prémio Almada do Ministério da Cultura, o grau de Oficial da Ordem do Infante e o grau de Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres, atribuído pelo Ministério da Cultura francês, entre outros reconhecimentos. A sua criação coreográfica dos anos 1990 foi classificada como Herança da Dança Alemã.
Nas artes performativas, o seu trabalho como encenador estende-se ao teatro, à ópera e à música experimental, destacando-se produções como The Rake’s Progress (Basel e Teatro Nacional de São Carlos), Paint Me, de Luís Tinoco (Culturgest), A Flowering Tree, de John Adams (Fundação Gulbenkian), Everybody Knows (Ópera de Darmstadt) e Dido e Eneias (Opera Fest / Aula Magna), bem como colaborações com o Remix Ensemble (Casa da Música) e criações para a banda Micro Audio Waves. Desenvolve ainda trabalho como desenhador de luz e investigador multimédia, áreas que integra frequentemente na sua criação coreográfica.
Allan Falieri
Com mais de três décadas de percurso profissional, construiu a sua trajetória através da dança e do movimento. Integrou companhias de renome internacional como a Compañía Nacional de Danza, o Nederlands Dans Theatre, o Ballet Gulbenkian, o Béjart Ballet Lausanne e o Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Como artista independente radicado em Madrid, desenvolveu trabalhos e colaborações com instituições culturais de relevo, nomeadamente o Museo Nacional del Prado, o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, o CaixaForum Madrid, o Matadero Madrid e o Guggenheim Museum Bilbao, além de colaborar com artistas nos campos da moda, do cinema e das artes visuais. Integrou ainda a equipa de casting do Cirque du Soleil e foi artista residente do Centro Coreográfico Canal – Teatros del Canal (Madrid) com o projeto ABOUT FREAK CONTEXT (2018–2021).
Atualmente, é codiretor do SINGULARITY, programa de workshops de dança contemporânea sediado em Lisboa. Mantém uma colaboração de longa data como professor convidado no Conservatorio Superior de Danza María de Ávila, em Madrid, e atua como mentor do grupo feminista afro-diaspórico Ore Arts, em Heidelberg/Mannheim, Alemanha. É também remontador autorizado das obras das coreógrafas Annabelle Lopez Ochoa e Marie Chouinard.
A sua prática artística investiga novas formas e estratégias a partir da diversidade das identidades, procurando construir perspetivas mais inclusivas através da arte, da educação e da ciência. Concebendo a transformação como parte necessária de cada ciclo criativo e vital, o seu trabalho reivindica também a pausa, o descanso e a celebração como atos de existência e resistência histórica, criando condições para que outros futuros possam ser imaginados e partilhados.
Paralelamente à sua atividade artística e pedagógica, encontra-se a concluir o mestrado em Artes Cénicas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (2026).
30 + 31 OUT 26
SESSÕES
30 outubro - 22:00
31 outubro - 17:00
CATEGORIA
FAIXA ETÁRIA
M/6
PREÇO
5,00€
BILHETES →
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Há sempre alguém que conhece alguém.
Há sempre uma de nós que conhece alguém que já o fez. Outra, conhece quem o sabe fazer.
Há sempre alguém que nos diz o caminho, ou alguém que nos leva até lá.
Podemos não querer ver, mas não é por isso que deixa de existir. Afinal, há sempre alguém que conhece alguém.
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A
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A
Este é o primeiro momento de residência dos participantes desta edição da Companhia Jovem de Dança de Ílhavo com o coreógrafo deste ano: Rui Horta.
234 397 260
Para assuntos relacionados com bilheteira contactar os números 234 397 263