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17-10 ENTREVISTA: Micaela Vaz e Rui Oliveira

A cultura do dia a dia por Micaela Vaz e Rui Oliveira, em entrevista

São dois dos mais importantes artistas da região. Micaela Vaz estreou-se recentemente a solo depois de dez anos de viagens bem acompanhada. Rui Oliveira já não consegue contar pelos dedos os anos de orgulhosa e deliberada solidão musical, mas ao longo dos anos tem trabalhado com diversos músicos que o inspiram. Em novembro, a Casa da Cultura de Ílhavo acolhe-lhes o talento: dia 11 de novembro Micaela Vaz estreia “EU” em Casa e Rui Oliveira será um dos cantores convidados. Há sempre música entre eles, mas atenção: esta também é uma história de amor.

Quem é a Ela Vaz e como é que começa a dar música ao mundo?

EV: Sou natural da Gafanha d’Aquém e comecei o meu percurso na música muito por influência do meu irmão Rui Vaz, que era produtor musical, tendo produzido o disco “Amai” do Paulo Bragança, que quebrou barreiras no mundo do fado. Foi durante esse tempo, em que acompanhei de perto o seu trabalho, que comecei a descobrir o prazer de cantar e a desenvolver a vontade de ser cantora. Com a sua morte em 1997, achei que seria impossível ser cantora fora de Lisboa e dirigi a minha vida profissional para outros caminhos. Anos mais tarde, a assistir aos concertos do Rui Oliveira e conhecê-lo pessoalmente despertou em mim essa vontade adormecida de cantar

Sentiste que continuar podia servir de catarse?

EV: Sim, a música é mesmo uma catarse para mim. Os dez anos em que afastei o lado artístico de mim foram necessários para eu perceber a sua importância. Conhecer o Rui, nessa altura, foi muito importante porque me fez perceber que era possível ser um cantor profissional verdadeiro, autêntico, vivendo na mesma cidade onde vivo. Ele começou a convidar-me para cantar nos concertos dele e eu timidamente comecei a aceitar.

E quando regressaste à música? Quando é que voltaste, de facto, a cantar?

EV: Profissionalmente comecei em noites de fado, a convite do Rui.
Rui Oliveira: Até que a fomos a Lisboa cantar uma vez...
EV: Foi no Chapitô. Fomos a uma noite de fados organizada pelo Hélder Moutinho. Eu cantei alguns fados e ele gostou. Nessa altura, acabou por convidar-me para integrar um projeto do Ricardo Parreira, que é um guitarrista de guitarra portuguesa de Lisboa, que ia gravar um disco, o “Cancionário”. Acabei por integrar o projeto.
RO: Comecaste logo a fazer tournés pela Europa e América. Não me importava nada de ter ido contigo (risos).

Nisto estamos a falar de que ano?

EV: Foi em 2008.
RO: Entretanto também estiveste em Estocolmo...
EV: Sim. Depois do Cancionário, fui cantando, sempre fado, integrando projectos com o Helder Moutinho e o Rui. Em 2011, fui convidada a fazer parte dos Stockholm Lisboa Project, que é uma banda de fusão entre fado, música tradicional portuguesa e nórdica, da qual fiz parte durante três anos. Viajámos muito. A maior parte da minha carreira, até aqui, foi feita no estrangeiro.

E quando deixas os outros e passas a viver para “Ela”?

EV: Este é o meu primeiro disco em nome próprio. Após as experiências que fui acumulando achei que tinha chegado a altura de assumir um trabalho a solo. Foram três anos a produzir este disco, que teve o contributo fundamental do produtor Quiné Teles, músico ilhavense com muitos anos de experiência ao lado dos melhores da música portuguesa.

Com quem tocaste no Festival Rádio Faneca no ano passado!

EV: Exatamente. Gosto muito de participar no projeto dele, DaCorDaMadeira, sempre que me convida. Este disco tem oito temas originais de vários autores, como a Amélia Muge, o Filipe Raposo, o Nuno Camarneiro, o Viriato Teles, o Miguel Calhaz, o Ricardo Fino e Uxia. Eu própria acabei por compor uma música. Convidei também artistas que admiro muito, para partilhar músicas comigo: a Uxía, o Rão Kyao e claro o Rui Oliveira. Estes dois últimos participam no espetáculo na Casa da Cultura

O que podemos esperar deste espetáculo a jogar em casa?

EV: Vamos apresentar o disco “EU” e estou muito feliz por poder ter comigo em palco a maior parte dos músicos que gravaram o disco. O Filipe Raposo no piano, o Quiné Teles na percussão, o Nuno Caldeira na guitarra acústica, o António Quintino no contrabaixo e a Ana Catarina Costa na flauta transversal. Haverá também alguns temas extra, mas são surpresa.

E o Rui Oliveira, quem é, além de ter dado música a Ela?

RO: Sou um cantor de canções, de Aveiro. As viagens que fiz e as experiências que tive com outros músicos levaram-me para os caminhos da improvisação. Com a minha guitarra canto um pouco por todo o lado. Acredito no poder de agir localmente, em fazer o que se pode, com os meios que se tem.

Mas tens brincado mais ultimamente. Já não é só a guitarra, pois não?

RO: Eu estou sempre a fazer coisas novas (risos). O mais recente é o “O Xú”, um projeto de improvisação com o Bitocas Fernandes. Eu divido a minha atividade por vários projetos diferentes. Não tenho nenhum representante, nenhuma editora, nenhum agente, e por isso tenho liberdade para diversificar a minha atividade. Tenho também um projeto, com o DJ Deão, o Andarilho 2.0, que mistura a música tradicional com música eletrónica. N ‘O Xú”, com o Bitocas Fernandes, fazemos improvisação vocal e utilizamos o corpo e uma loop station. É um espetáculo, com uma componente física muito vincada. Também faço o “ Fado solo”, em que canto fados com a minha guitarra e em que convido um solista, normalmente dos sítios para onde vou, para que improvise em cima da estrutura do fado. Agora, estou a construir um novo espectáculo que mistura um bocadinho disto tudo. Ainda não tem nome. Estou até a pensar fazer uma proposta de residência artística para uma primeira apresentação na Fábrica das Ideias

És sempre bem-vindo. Vocês que são dois músicos da região, já sentem este apoio do 23 Milhas? Sabem que na Fábrica de Ideias da Gafanha da Nazaré têm um espaço onde podem criar?

EV: Algumas.
RO: Dificuldades… Acredito mais em valorizar as coisas boas. Temos de valorizar o que há de bom e no prazer que dá fazer esta vida e fazer isto localmente. Se não pudermos passar ao nível nacional, vamos fazendo o nosso papel ao nível local, sempre com o objetivo de melhorar e de chegar a mais pessoas.

Bom, também depende muito daquilo que se quer não é?

RO: Depende do que se quer, sim. O maior problema que sinto é o receber menos estímulos culturais, de conviver menos com outros pares, outras pessoas que façam o mesmo que eu. Nesse aspeto, estar numa cidade pequena dificulta.
EV: E a parte da indústria…
RO: Quanto à indústria não sei. Com boa publicidade, com bons agentes... aliás até é daqui a maior agência de Portugal. Criativamente não temos o mesmo tipo de estímulo que temos numa cidade maior, mas isso compensa-se com outras coisas: com a rede de comunicação que vamos estabelecendo, com os públicos que vamos fidelizando à nossa volta, com a simpatia, o carinho e a proximidade que ganhamos com o público. Isso é uma coisa muito fixe!
EV: Sim, e a qualidade de vida!

Para terminar, expetativas para o concerto do dia 11?

RO: Expetativas? É o teu concerto, não é, Ela? (risos) Mas eu espero que seja um sucesso, casa cheia, a filha da terra a cantar aqui!
EV: Estou muito entusiasmada por ir apresentar o meu disco na minha terra e numa sala tão importante como a Casa da Cultura de Ílhavo. Será certamente uma noite bonita de partilha e cumplicidade.

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