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A cultura do dia a dia por Nuno Sacramento e André Capote, em entrevista

Nuno Sacramento e André Capote são irmãos. No melhor sentido da expressão, só se estragou uma casa: Nuno seguiu as pisadas do pai, José Sacramento e, tal como ele, tornou-se marchand de arte, é diretor e fundador da Galeria de Arte Nuno Sacramento - Arte Contemporânea, sediada em Ílhavo; o mais novo, André Capote, é artista plástico e professor, tem uma academia de artes plásticas e ainda arranja tempo para tocar bateria numa banda de rock ilhavense. A arte é uma viagem e Ílhavo cabe-lhes sempre na bagagem: ida e volta.

O que se faz na Galeria Nuno Sacramento?

Nuno Sacramento: A Galeria Nuno Sacramento é um projeto que começou em 2005, depois de anos de experiência na área. Comecei a trabalhar em 1991 com o meu pai, José Sacramento, que tinha uma galeria de arte em Aveiro que promovia várias exposições e alguns artistas que, hoje em dia, têm bastante projeção. Comecei por abrir uma galeria em Aveiro, onde comecei a trabalhar com alguns artistas com quem sentia o feeling que podiam crescer. Numa galeria de arte, somos bombardeados diariamente com currículos de artistas que querem trabalhar connosco e temos que ser muito honestos, filtrar ao máximo, saber dizer não. Neste momento, temos uma equipa de 14 artistas residentes e outros que flutuam nos projetos para câmaras, museus e centros culturais.

Como surge a decisão de se sediarem em Ílhavo?

NS: Houve um dia em que vendi um quadro relativamente caro e foi tudo tratado por e-mail. Percebi que não fazia sentido ter um espaço muito grande para poder vender arte, que através das plataformas online se conseguia fazer muita coisa. Foi quando decidimos vir para Ílhavo: onde nascemos, vivemos, estudámos e temos a nossa família. Hoje somos uma galeria de província, mas não nos consideramos provincianos. Vamos a feiras internacionais, viajamos muito, estamos a trabalhar em dois mercados muito fortes. O meu pai, que já se reformou, está a trabalhar muito com o mercado cubano, artistas de primeira linha. E acabámos de passar quatro anos, divididos em períodos de meses, em Angola.

Como é que se chega a Angola?

NS: Há quatro anos começámos a fazer um trabalho com Angola, a convite de um banco angolano. Convidaram-nos para irmos até lá, para escolhermos artistas angolanos para fazerem uma coleção de arte. Para fazermos o “trabalho de casa” viajámos por todo o país, conhecemos todas as províncias, descobrimos muitos artistas. Alguns deles já estiveram em residência artística em Ílhavo. O Kapuka, por exemplo, viveu em Ílhavo durante dois meses

E essa nem foi a vossa única residência artística

NS: Exacto, não foi a nossa única residência artística. Já fizemos, há muitos anos, o Festival de Escultura na Costa Nova e costumamos ter muitos artistas de fora a trabalhar connosco cá.

Porque é que é tão importante ter aqui artistas de fora a fazerem residências artísticas, a trazerem o trabalho deles para cá e levarem algo de cá para o trabalho deles?

NS: Nós somos uma galeria privada, que vive disto a 100%. Os artistas que nós convidamos são artistas que nos dão garantia de continuidade, que têm currículo, que têm qualidade, que têm força para se poder vender. Aqui não há muitos artistas na região. O talento não se adquire, a universidade ajuda, mas não se compara talento com canudo. O talento é uma coisa inata. Nós convidamos artistas de fora, mas também trabalhamos com artistas da região, por exemplo com um artista muito bom que é de Cantanhede, o Juan Dominguez.
André Capote: Não há muitos artistas profissionais na nossa região, no campo profissional, que vivam apenas da arte.
NS: Há um ou outro artista que dá aulas em casa ou numa secundária, mas que não estão tão focados na sua carreira.

Mas tu, André, além de trabalhares enquanto produtor de arte, tens outra vertente que é, precisamente, formativa. Que projeto é esse?

AC: Eu estive muitos anos a dar aulas em escolas. Em 2013, comecei a pensar numa escola particular e abri uma academia de desenho e pintura. Como artista, continuo a pintar e a vender, mas também gosto muito de ensinar e tenho muito prazer no que faço: três dias são dedicados ao ensino e outros três dias são investidos nas artes plásticas.

Quem são os teus alunos? Porque é que vão para a academia?

AC: A academia tem vários alunos da região, desde Ílhavo aos arredores, e dos 8 aos 80. 20%, no máximo, querem ser artistas. Os outros estão na escola por prazer. A Arte é um conceito muito do dia-a-dia, muito experimental. Neste momento, tenho cerca de 20 alunos. Há lá pessoas que nunca pensaram nas artes e vinham mais para ocuparem o seu tempo livre e que agora ganharam um gosto muito grande pelas artes visuais. Além de pintarem com grande prazer, também vão às exposições com muito interesse.

Em termos de futuro, no vosso trabalho, o que esperam da ligação com Ílhavo?

NS: No futuro, gostava que as gentes de Ílhavo aparecessem mais nas nossas inaugurações que anunciamos sempre através do site da Galeria Nuno Sacramento e por outros meios muito acessíveis. Vamos continuar a ser profissionais, trabalhar mais e melhor e trazer a Ílhavo o que de melhor se faz nas artes plásticas e na arte contemporânea. Somos uma galeria de artistas mais emergentes, mas também temos trabalhos de artistas consagrados. Lançámos agora um site, o Art Feeling, de vendas de obras online de colecionadores. A curto prazo, a nossa galeria vai ter uma exposição de um artista angolano, Albino José da Conceição, entre outras exposições, do Duarte Vitória e da Cristina Trofa, que podem ir acompanhando no site e nas redes sociais da Galeria. O futuro é trabalhar mais e melhor, com honestidade, com foco, sempre de uma forma séria e com os pés bem assentes na terra.
AC: Sim, é na linha do que o Nuno disse, sempre a acreditar muito no futuro. Aliás, eu acredito sempre muito no futuro da arte.

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